e-escola

Fenacite Intermédio

Publicado em 11/03/2010 

Jazida

Tipo de jazida
Jazigos pegmatíticos, jazigos hidrotermais, xistos

A fenacite é um mineral de Be, que normalmente ocorre associado a formações pegmatíticas. Forma-se nas fases finais de cristalização dos pegmatitos, quando o magma se encontra muito enriquecido em mineralizadores.

Para além das jazidas pegmatíticas e das formações do tipo escarnítico, ambas de alta temperatura de formação, a fenacite ocorre em depósitos hidrotermais de média a elevada temperatura, na dependência de rochas granitóides ou de rochas sieníticas (Smirnov, 1977).

Na gama de temperaturas médias, a fenacite ocorre em metassomatitos. A composição mineralógica das mineralizações encontra-se muito dependente da natureza das rochas encaixantes:

  • sulfuretos-fenacite-bertrandite (diques graníticos e dolomitos);
  • fluorite-fenacite (calcários) – subtipos com mica ou com mica+turmalina+cassiterite;
  • fluorite-bertrandite-fenacite (calcários e escarnitos – scarns);
  • britolite ((Ca,Ce)5(SiO4,PO4)3F)-torite (Th,U)[SiO4]-fluorite-fenacite (calcários) - subtipos com crisoberilo e britolite ou com torite e fluorite;
  • albite-hematite-fenacite-bertrandite (rochas granitóides).

Das características próprias deste tipo de ocorrências destacamos a clara associação com falhas regionais e geneticamente relacionadas com maciços granitóides ou sieníticos, com dimensões reduzidas, correspondentes a etapas evolutivas finais de complexos graníticos. Esses maciços encontram-se metassomatizados. Existe um nítido controlo litológico das mineralizações, nomeadamente por rochas carbonatadas, micaxistos, etc. Observam-se diversas etapas de mineralização e a fenacite surge sempre acompanhada pela fluorite de cor violeta muito escura (aspecto frequentemente correlacionado com um enriquecimento em tório e/ou urânio), massiva, com bandado fino ou com aspecto celular.

Na gama de temperaturas médias a elevadas, a fenacite ocorre em metassomatitos com berilo, fluorite e mica, em domínio de rochas encaixantes básicas ou ultrabásicas.

Este tipo de depósitos caracteriza-se por uma estreita dependência com falhas importantes, às quais estão associadas sequências de intrusões e soluções mineralizadoras. A mineralização é faseada e tende a ser progressivamente mais enriquecida em F e Be. O berilo é o minério principal, seguido da fenacite. Fazem parte da paragénese as micas, albite, oligoclase, fluorite e algum quartzo. O metassomatismo desempenha um papel na formação da mineralização, culminando no aparecimento de graisens com berilo-fluorite-mica.

A associação de fenacite e berilo (esmeralda) em micaxistos biotíticos, por exemplo, está associada a zonas de contacto entre rochas portadoras de Cr (como os xistos) e rochas félsicas como os granitos, ou pegmatitos. Formam-se, quer por interacção entre fluidos enriquecidos em Be e as rochas portadoras de Cr, quer por processos metassomáticos. A fenacite aparece como mineral primário ou como produto de alteração do berilo. Às vezes surge na forma de inclusões em esmeraldas.

Na gama de temperaturas elevadas, em domínio de rochas sieníticas, a fenacite ocorre ainda como mineral acessório em metassomatitos alcalinos (feldspáticos). O metassomatismo, dominantemente microclinização e albitização, está associado a falhas regionais. As associações típicas neste caso são, feldspato-helvite (Mn4Be3[S|(SiO4)3])-fenacite-bertrandite ou mica-feldspato-gentilvite (Zn4Be3[S|(SiO4)3]). No último caso, a gentilvite é claramente dominante. Neste tipo de associação não se observa o típico enriquecimento em F, típico da maioria das associações com fenacite; de facto, a fluorite é muito escassa nestes depósitos.

Minerais Associados

Microclina, topázio, quartzo, apatite, esmeralda, crisoberilo, fluorite, pirite, moscovite, bertrandite, scheelite.

Pegmatito zonado

Fig. 4 - Pegmatito zonado - as zonas internas traduzem diferentes etapas da cristalização do corpo. Rocha encaixante - cinzento mais escuro na parte externa.

Autor e Créditos

Autor:

  • Manuel Francisco Pereira
  • Elsa Vicente
 

Tópicos Relacionados

  • Berílio

    Grupo de Produção de Conteúdos de Química | 06/11/2007 | Tabela Periódica | Básico

  • Flúor

    Grupo de Produção de Conteúdos de Química | 05/07/2007 | Tabela Periódica | Básico

  • Bertrandite

    Manuel Francisco Pereira; Elsa Vicente | 16/12/2009 | Minerais | Intermédio

  • Crisoberilo

    Manuel Francisco Pereira; Elsa Vicente | 11/03/2010 | Minerais | Intermédio

 

Referências Bibliográficas

  • [1] Almeida, C.M.P., Estudo do filão aplitopegmatítico da mina da Bajoca, Almendra. Contribuição Científico-tecnológica, Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, Porto, 2003.
  • [2] Blackburn, W.H. & Dennen W.A., Principles of Mineralogy, Second Edition, Wm. C. Brown Publishers, 1994.
  • [3] Carneiro F.S., Potencialidades Minerais da metrópole, base firme de desenvolvimentos industrial do país, Arquivos da Direcção Geral de Minas e Serviços Geológicos, 1971.
  • [4] Celso S. & Gomes F., Minerais Industriais: Matérias Primas Cerâmicas, Instituto Nacional de Investigação Científica, Aveiro, 1990.
  • [5] Cerný, P., Short Course in Granitic Pegmatites in Science and Industry, Ed. P. Cerný. Mineralogical Association of Canada Short Handbook, 1982.
  • [6] Clark, A.M., Hey’s Mineral Index: Mineral Species, varieties and synonyms, 3ª. Ed., Chapman & Hall, 1993.
  • [7] Constantopoulos, J.T., Earth Resources Laboratory Investigations, Prentiss-Hall, 1997.
  • [8] Dud’a, R. & Reij.L, A Grande Enciclopédia dos Minerais, Editorial Inquérito, 1994.
  • [9] Edwards, D. & King, C., Geocience: Understanding Geological Processes, Hodder & Stoughton, 1999.
  • [10] Emsley, J., The Elements, Claredon Press, Oxford, 1991.
  • [11] Enciclopédia Minerais e Pedras Preciosas, RBA Editores, 1993.
  • [12] Gaines R., Skinner H., Foord E., Mason B., Rosenzweig A., Danas’s New Minerology, 8ª. Ed., John Wiley & Sons, Inc., 1997.
  • [13] Galopim de Carvalho, A.M., Sopas de Pedra: De Mineralibus, I, Gradiva Publicações Lda., 2000.
  • [14] Gomes, C.L. & Nunes, J.E.L., Análise paragenética e classificação dos pegmatitos graníticos da cintura hercínica centro-ibérica, M. Portugal V. Ferreira (Coord.), A Geologia de Engenharia e os Recursos Geológicos, Imprensa da Universidade Ed., Coimbra, 2003, pp. 85-109.
  • [15] Grew, E. S., Reviews in Mineralogy & Geochemistry, Beryllium – Mineralogy, Petrology and Geochemistry, Mineralogical Society of America, 2002.
  • [16] Harben, P.W. & Bates, R.L., Industrial Minerals, Geology and World Deposits. Industrial Minerals Division, Metal Bulletin PLC, London, 1990.
  • [17] Harben, P.W. & Kuzvart, M., Industrial Minerals, A Global Geology. Industrial Minerals Information Ltd, Metal Bulletin PLC, London, 1996.
  • [18] Hurlbut, C.S. Jr., Les Minéraux et L’ Homme, Éditions Stock, Paris, 1969.
  • [19] Hurlbut, C.S. Jr. & Switzer G.S., Gemology, Johnn Wiley & Sons, Inc., 1979.
  • [20] Jesus, A.M., Pegmatites Mangano-litiníferas da Região de Mangualde, Com. Serv. Geol. Portugal, 1993, 65-210.
  • [21] Klein, C. & Hurlbut C.S., Manual of Mineralogy (after James D. Dana), Revised 21ª. Ed., John Wiley & Sons, Inc., 1999.
  • [22] Lima, A.M.C., Estrutura, mineralogia e génese dos filões aplitopegmatíticos com espodumena da região Barroso-Alvão, Tese de doutoramento em Ciências, Departamento de Geologia, Centro de Geologia, FCUP, Porto, 2000.
  • [23] Manutcherhr-Danai M., Dictionary of gems and geomology, Springer-Verlag, 2000.
  • [24] Mendes, H. S. & Silva, M. I., Mineralogia e Petrologia – Segundo as lições do Prof. Eng. Luís Aires de Barros, Edição da Secção de Folhas da A.E.I.S.T., 1965.
  • [25] Neves, M.O., Caracterização químico-estrutural e petrográfica das micas litiníferas da mina do Castanho Nº1 (Gonçalo-Guarda), Tese de mestrado em Geoquímica, Departamento de Geociências da Universidade de Aveiro, Aveiro, 1993.
  • [26] Pereira, M.F.C, Estudo mineroquímico interpretativo da evolução da alteração de fosfatos de manganês – triplites de Mesquitela (Mangualde), Departamento de Geociências da Universidade de Aveiro, 1994.
  • [27] Pereira, M.F.C, Análise estrutural e mineralógica do aparelho pegmatítico de Pereira de Selão (Seixigal) - Vidago (N de Portugal), Tese de doutoramento em Engenharia de Minas, Departamento de Minas, IST-UTL, Lisboa, 2005.
  • [28] Putnis, A., Introduction to mineral sciences, Press Syndicate of the University of Cambridge, 1992.
  • [29] Ramos, J.M.F., Mineralizações de metais raros de Seixo Amarelo– Gonçalo (Guarda). Contribuição para o seu conhecimento, Tese de doutoramento, Fac. Cienc. Univ. Lisboa, Lisboa, 1998.
  • [30] Rewitzer, C. Wald, F. & Roschl, N., 1984, Portugal (Mangualde), Lapis Mineralien Magazin, 9, (12) pp. 21-26.
  • [31] Schnorrer-Kohler, G. Bendada, 1991, ein Phosphatpegmatit im Mittelteil Portugals, Lapis Mineralien Magazin, 5, pp. 21-33.
  • [32] Smirnov, V. I., Ore Deposits of the USSR, Pitman Publishing, 1997.
  • [33] Staff of U.S. Bureau of Mines, Mineral Facts and Problems, 1985 Edition, Bulletin 675, United States Department of the Interior, 1956.
  • [34] Velho J., Gomes C. & Romariz, Minerais Industriais, Geologia, Propriedades, Tratamentos, Aplicações, Especificações, Produções e Mercados, Gráfica de Coimbra, Coimbra, 1998.
 

Para comentar tem de estar registado no portal.

Esqueceu-se da password?

© 2008-2009, Instituto Superior Técnico. Todos os direitos reservados.
  • Feder
  • POS_conhecimento