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Vanádio Básico

Publicado em 24/11/2008 

História

A descoberta do vanádio data do início do séc. XIX, mais concretamente ao ano de 1801, quando Manuel Del Rio (1764-1849), então professor de mineralogia na Cidade do México, colocou a hipótese de ter descoberto um novo elemento. Ao observar um mineral proveniente de uma mina localizada no México, Del Rio interessou-se pelas cores dos seus sais, chamando inicialmente ao elemento pancrómio (sinónimo de “todas as cores”). No entanto, após algumas experiências, no decorrer das quais verificou que todos os sais do seu mineral adquiriam a cor vermelha quando sujeitos a ataque ácido ou a altas temperaturas, optou por alterar o nome para eritrónio (sinónimo de “vermelho”).

Del Rio disponibilizou amostras para análise em Paris, referindo a sua semelhança com os minerais de crómio, elemento que havia sido descoberto quatro anos antes. Induzido a erro ou não, o facto é que o químico francês Collet-Descotils, que se responsabilizou pela análise do possível novo elemento, concluiu estar perante apenas mais um mineral de crómio. Del Rio abandonou então a sua suposição, crendo somente ter redescoberto um elemento já existente.

Trinta anos mais tarde e num outro continente, Nils Gabriel Sefström (1787-1845), professor de química na Suécia, no conhecido Karolinska Institute em Estocolmo, declarou ter descoberto um novo metal, o qual nomeou vanádio, nome que provém do nome da deusa escandinava da beleza, Vanadis. Enquanto analisava amostras provenientes de uma mina de ferro, constatou a existência de uma pequena porção da amostra que se dissolvia mais facilmente em ácido do que o resto. Por concentração desta porção, e embora a quantidade de material obtido fosse muito pequena, conseguiu provar estar perante um novo elemento.

Entretanto, tendo conhecimento dos trabalhos de Del Rio, Friedrich Wöhler veio pouco depois provar que a descoberta deste novo metal havia afinal sido concretizada trinta anos antes. Este investigador trabalhou com minerais provenientes da mesma exploração mineira mexicana a partir da qual Del Rio havia obtido as suas amostras. Assim, apesar do nome aceite ter permanecido vanádio, reconhece-se a Manuel Del Rio o mérito da descoberta deste elemento.

Apesar do reconhecimento da existência do elemento vanádio datar do início do século XIX, foi apenas em 1869 que o Inglês Henry Roscoe isolou na realidade o elemento, e mesmo assim apenas com um grau de pureza de 96%. Para que se conseguisse vanádio extremamente puro (99,99%) foi necessário esperar até 1920, altura em que foi obtido por investigadores americanos.

Um aspecto interessante na história do vanádio é aquele que diz respeito ao aço de Damasco e que foi recentemente divulgado por John Verhoeven. As espadas, cimitarras e punhais fabricadas em Damasco gozavam de uma reputação de serem de uma qualidade admirável. Sabe-se hoje que estas armas deviam a sua elevada resistência e dureza a uma pequena percentagem de vanádio que possuíam na sua composição que era uma impureza dos minérios de ferro utilizados no fabrico das espadas. Por volta de 1800, uma vez extinta a mina normalmente utilizada, os fabricantes de aço iniciaram a exploração de outros minérios de ferro, destituídos de impurezas de vanádio. A partir daí, as espadas perderam a fama que as acompanhava.

O vanádio está também intimamente ligado à história da indústria automóvel. Heny Ford baseou a construção do seu popular modelo T numa liga de aço leve com vanádio.

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