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Srinivasa Aiyangar Ramanujan (1887 - 1920)

Publicado em 03/07/2008

O Príncipe da Intuição

Ramanujan
Srinivasa Aiyangar Ramanujan
Fonte da imagem: MactutorLink externo.

"Para mim uma equação não tem significado a não ser que exprima um pensamento de Deus". (Ramanujan)

Srinivasa Aiyangar Ramanujan nasceu a 22 de Dezembro de 1887 em Erode, no estado de Tamil Nadu, no sul da Índia, mas viveu desde muito cedo em Kumbakonam. O seu pai, Srinivasa, era um empregado de balcão, e foi uma figura ausente na vida de Ramanujan. Por outro lado, a sua mãe Komalatammal, culta e perspicaz, foi dedicada a Ramanujan, e ambos foram próximos. Apesar dos seus pais serem brâmanes, fazendo parte da casta mais culta e poderosa da Índia, eram pobres.

Desde criança que Ramanujan foi excêntrico e teimoso. Até aos 3 anos não falou e nunca praticou qualquer tipo de actividade física até ao final da sua vida. Aos 5 anos de idade ingressou na sua primeira escola, de cujo professor não gostava e cujas aulas não seguia. Nos dois anos seguintes trocou frequentemente de escolas, acabando por entrar no Liceu de Kumbakonam aos 11 anos, onde teve grande sucesso académico, reconhecido com prémios. Com esta idade, Ramanujan também já tinha aprendido equações cúbicas e as expansões em série das funções trigonométricas.

Em 1903, descobriu o livro que seria o mais importante na sua formação matemática: "A Synopsis of Elementary Results in Pure and Applied Mathematics", de George Carr. Este livro era uma compilação desactualizada de teoremas e fórmulas de várias áreas da Matemática com demonstrações resumidas ou inexistentes. Ramanujan provou parte significativa dos teoremas do livro e ainda conseguiu provar novas generalizações. No entanto, devido à falta de orientação no estudo do livro, nunca aprendeu a fazer provas formais, o que o levaria mais tarde a enunciar resultados incorrectos.

Nos anos seguintes Ramanujan teve grandes problemas com os estudos. Em 1904, entrou no Kumbakonam’s Government College com bolsa, mas saiu um ano depois, tendo chumbado a todas as disciplinas, excepto Matemática. Em 1906, ingressou no Pachaiyappa’s College, em Madras, e chumbou duas vezes nos exames de admissão à Universidade. Entre estes períodos fugiu para a cidade de Vizagapatram, provavelmente devido à humilhação de ter falhado. Ramanujan sofria se o seu talento não fosse reconhecido, apesar de ter plena confiança nas suas capacidades.

Até 1909, desempregado e depois de ter adoecido gravemente, trabalhou por conta própria em matemática. Compilou em blocos de notas resultados brilhantes, mas também alguns incorrectos. No entanto, a mãe de Ramanujan fartou-se da sua aparente indolência e casou-o em Julho de 1909 com Janaki Ammal, na altura apenas com 9 anos, de modo a forçá-lo a procurar trabalho.

Antes de conseguir trabalho, Ramanujan contribuiu para o Journal da Indian Mathematical SocietyLink externo, ganhando reconhecimento por um artigo brilhante sobre os números de BernoulliLink externo.

Finalmente, no início de 1912, conseguiu emprego como funcionário no Porto de Madras. Neste período enviou o seu trabalho a vários importantes matemáticos ingleses, mas apenas HardyLink externo lhe respondeu. Este, ao analisar as cartas com John LittlewoodLink externo, ficou deslumbrado e convidou Ramanujan para que viesse a Cambridge. Infelizmente, a religião de Ramanujan impedia-o de atravessar o mar, mas mesmo assim Hardy esforçou-se para o ajudar. Conseguiu exercer influência para que Ramanujan ganhasse uma bolsa para trabalhar em Matemática, em 1913. Finalmente, Ramanujan viajou para Cambridge em 1914, ficando mal visto na sua sociedade.

No período em que Ramanujan esteve em Cambridge publicou um elevado número de artigos com Hardy. Em particular, num dos artigos obtiveram uma fórmula que determina exactamente o número de primos até n.

Ramanujan nunca se conseguiu adaptar à sociedade inglesa, nem alimentar-se decentemente. Apesar da inadaptação, em 1916 obteve um grau de Bachelor of Science by Research em Cambridge. Um ano depois adoeceu com tuberculose, da qual nunca recuperaria, após meses de descuido e má alimentação. Em Fevereiro de 1918, tentou suicidar-se atirando-se para a linha de comboio, mas felizmente sofreu apenas ferimentos leves. Receoso pela a saúde de Ramanujan, Hardy exerceu influência para que este fosse urgentemente eleito fellow na Cambridge Philosophical Society e na Royal Society of LondonLink externo.

Com o final da Primeira Guerra, e com uma aparente melhoria do seu estado clínico, Ramanujan voltou à Índia a 27 de Fevereiro de 1919. No entanto, acabou por sucumbir da tuberculose em 26 de Abril de 1920, em Kumbakonam.

Ramanujan foi o maior génio matemático da Índia. Como legado deixou contribuições substanciais para a Teoria dos Números e ainda deixou trabalho em funções elípticas, fracções contínuas e séries infinitas. Ficaram também os seus famosos blocos de notas, repletos de fórmulas por demonstrar, que ainda são estudados nos dias de hoje.

Autor: Nuno Freitas

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