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Jules Henri Poincaré (1854 - 1912)

Publicado em 03/07/2008

O Último Universalista

Poncare
Jules Henri Poincaré
Fonte da imagem: MactutorLink externo.

"Os matemáticos nascem, não se fazem". (Poincaré)

Henri Poincaré nasceu a 29 de Abril de 1854 em Nancy, França, numa família de alto nível intelectual, principalmente do lado paterno. O seu avô paterno trabalhou desde jovem no hospital militar de Saint-Quentin, durante a era de Napoleão e o seu pai, Léon Poincaré, foi um médico de topo e professor na Universidade de Medicina. A mãe, Eugénie Launois, era uma mulher activa e inteligente, que se dedicou à educação dos seus dois filhos. Alguns elementos da sua família directa ocuparam importantes posições na sociedade francesa tendo, por exemplo, o seu primo direito, Raymond Poincaré, sido primeiro-ministro e mesmo Presidente da República durante a Primeira Guerra Mundial.

Poincaré começou a falar precocemente. Contudo, tinha uma péssima coordenação motora, que se reflectia na caligrafia e numa total inaptidão para desenhar, tendo em simultâneo sérios problemas de visão. Em contrapartida, possuía uma memória extraordinária; quando terminava um livro era capaz de se lembrar da página e linha em que determinada acção ocorreu, e quando começou a ter aulas descobriu que sem nunca tirar apontamentos era capaz de reproduzir integralmente as aulas a que acabara de assistir.

Manifestou os seus talentos, pela primeira vez, na área da escrita quando entrou para a escola primária, aos 7 anos de idade. O seu génio matemático apenas se libertou durante o ensino secundário. O seu percurso académico durante o ensino primário e secundário foi brilhante, com a excepção da componente de educação física.

Entre 1873 e 1875 frequentou a École Polytechnique, onde se distinguiu pelo seu brilhantismo em matemática e inaptidão para desenhar (teve zero no exame de admissão de Desenho). Depois ingressou para a escola de Minas para se tornar engenheiro, e dedicou o seu tempo livre ao estudo da matemática, em particular, a um problema em Equações Diferenciais. Foi sobre uma generalização deste problema que três anos mais tarde apresentou uma tese à Faculdade de Ciências de Paris, pela qual lhe foi atribuído o grau de Doutor em Matemática. Pela sua tese e alguns trabalhos que já tinha desenvolvido, em 1879 foi-lhe atribuída a cadeira de Análise Matemática na Universidade de Caen, e dois anos depois foi para a Universidade de Paris. Em 1886, ainda em Paris, começou a leccionar as cadeiras de Física Experimental e de Probabilidades na Soborne, mantendo estes cargos até ao final da vida.

A gigantesca produtividade científica de Poincaré começou com a sua tese de doutoramento e acabou apenas em 1912, com a sua morte. Durante todo este período, absorvia instantaneamente os conceitos novos com que se deparava, e parecia estar constantemente no auge das suas capacidades. A sua obra é constituída por cerca de 500 artigos nas mais diversas áreas da Matemática, mais de 30 livros sobre Física Matemática, Física Teórica e Experimental, e ainda escritos sobre a Filosofia da Ciência, a Filosofia da Descoberta Matemática, e textos de divulgação científica.

Poincaré é conhecido por ter sido o Último Universalista, isto é, o último matemático que dominou e fez contribuições importantes em todas as áreas da matemática. O seu domínio absoluto da análise, principalmente da análise complexa, foi parte importante do seu segredo para o universalismo, pois permitiu-lhe modernizar ataques a diversos problemas e estabelecer ligações inesperadas entre áreas distantes. Algumas das suas contribuições foram nas áreas de Equações Diferenciais, Funções Automórfas, Álgebra, Topologia, e Topologia Algébrica Contribuiu ainda para a área da Teoria dos Números, e venceu um prémio atribuído pelo Rei Óscar II da suécia pelo seu trabalho no problema dps n corpos.

O seu mérito foi justamente reconhecido por várias instituições, e em 1906, atingiu a distinção máxima que um cientista francês pode obter, tendo sido nomeado Presidente da Academia das CiênciasLink externo.

Com a excepção de algumas viagens científicas na Europa, e uma única aos Estados Unidos, Poincaré esteve toda a sua vida em Paris. Teve uma vida ocupada, mas tranquila, e um casamento feliz do qual resultaram três filhas e um filho.

A 17 de Julho de 1912, com 58 anos de idade, Poincaré morreu de um embolismo enquanto se vestia.

A profundidade e variedade do seu trabalho fizeram de Poincaré um matemático sem rival no seu tempo e um dos mais influentes matemáticos da história.

Autor: Nuno Freitas

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