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Pedro Nunes (1502 - 1578)

Publicado em 25/02/2002

Pedro Nunes
Pedro Nunes
Fonte da imagem: WikipediaLink externo.

Para além de ser considerado um dos maiores geómetras e matemáticos do século XVI, Pedro Nunes foi um dos precursores da moderna navegação científica.

Nasceu em Alcácer do Sal e licenciou-se em Artes na Universidade de Salamanca. Foi convidado por D. João, primeiro filho de D. Manuel I, para leccionar a Cadeira de Matemática na Universidade de Lisboa e aí leccionou diversas cadeiras, entre as quais as de Filosofia Moral, Lógica e Metafísica.

Em 1529, quando tinha alcançado o grau de bacharel, foi nomeado Cosmógrafo-mor do Reino. Para além de leccionar Matemática na Universidade de Coimbra, foi mestre de Matemática dos Infantes D. Luís e D. Henrique.

Em 1532 Pedro Nunes deixou o exercício da docência na Universidade para se dedicar ao cargo de Cosmógrafo e à investigação. Em 1544 D. João III encarregou-o da regência da Cadeira de Matemática e Astronomia da Universidade de Coimbra e, três anos depois, é feito Cavaleiro do Hábito de Nosso Senhor Jesus Cristo. Em 1555 é eleito para proceder à reforma dos Estudos Universitários, juntamente com Baltazar de Faria.

Por ocasião da morte de D. João III, que ocorre em 1557, Pedro Nunes é autorizado pela Rainha D. Catarina a dedicar-se à investigação e ao desenvolvimento da ciência das navegações. Pedro Nunes publica então diversos livros e obtém o reconhecimento internacional.

A 11 de Outubro de 1568, o Rei D. Sebastião nomeia-o para reformar os pesos e medidas do Reino e quatro anos depois encarrega-o de organizar uma cadeira de matemática e astronomia expressamente programada para instrução de pilotos e mareantes. Em 1577 o Papa Gregório XIII convocou-o para se pronunciar sobre um projecto de Reforma do Calendário.

Os seus trabalhos contemplam a geometria, trigonometria esférica, álgebra, geografia, cosmologia, navegação e poesia. O Tratado da esfera com a teoria do Sol e da Lua (1537), onde apresenta pela primeira vez a ideia das curvas loxodrómicas; o Tratado dos crepúsculos (1542), onde descreve a invenção do instrumento que viria a ser conhecido pelo seu nome (Nónio), destinado a determinar com acuidade a altura dos astros, em que tratou o crepúsculo de forma científica pela primeira vez, o que muito impressionou os cientistas de todo o mundo; o Tratado da navegação (1546), onde descreve um método de cálculo da duração do crepúsculo de um modo geométrico; e o Tratado de álgebra (1567), que é apoiado na geometria grega e onde admite a possibilidade das equações quadráticas terem duas soluções, são as suas principais obras.

Pedro Nunes nunca viu um Nónio contruído, só mais tarde, fora de Portugal, a sua ideia passou à prática. Hoje pode ver-se um Nónio no museu da ciência de Florença. Um instrumento também conhecido por Nónio tornou-se muito popular acoplado a uma cramalheira, para aumentar a exactidão das medições.

Para além de ser considerado um dos maiores geómetras e matemáticos do século XVI, Pedro Nunes foi um dos percursores da moderna navegação científica.

Pedro Nunes faleceu em Coimbra no ano de 1578.

Autor: e-escola

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