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Albert Einstein (1879 - 1955)

Publicado em 25/02/2002

Albert Einstein
Albert Einstein
Fonte da imagem: MactutorLink externo.

Einstein tinha uma enorme curiosidade em compreender o universo (...) e auto-classificava-se como «livre-pensador fanático».

Nasceu em 14 de Março de 1879 na cidade de Ulm, Alemanha.

Este génio do século XX teve uma infância solitária. Gostava de ler e ouvir música, não se identificando com os desportos praticados pelas outras crianças. Einstein sempre demonstrou grande habilidade para a compreensão dos conceitos matemáticos. Com 12 anos de idade aprendeu sozinho Geometria Euclidiana e, quando a sua família se mudou para Milão em 1894, Einstein dedicou-se à leitura de inúmeros livros de ciências. "O Livro Popular das Ciências Naturais", escrito por Bernstein em 1869, é considerado como uma das obras que mais o marcou na sua juventude.

Einstein foi sempre crítico dos métodos de ensino praticados na escola. Apesar de ter fracos resultados escolares, Einstein tinha uma enorme curiosidade em compreender o universo. Apresentou uma postura autodidacta, afirmando que "preferiria suportar qualquer tipo de castigo a ter de papaguear as coisas aprendidas" e auto-classificava-se como “livre-pensador fanático".

Terminou a escola secundária em Arrau, Suíça, com boas notas apenas em Matemática, e entrou em 1896 para o Instituto Politécnico de Zurique, onde se graduou em 1900 como professor do ensino secundário de Física e de Matemática.

Einstein tentou, sem sucesso, obter uma posição numa universidade.

Após alguns empregos precários como docente do ensino médio, aceitou a proposta de emprego para técnico de terceira classe no Departamento de Patentes Suíças, em Berna, posição que obteve por intermédio da intervenção do pai do seu amigo e colega Grossman. O novo emprego no serviço federal de patentes deixava-o com tempo disponível para se dedicar às suas investigações.

Os biógrafos de Albert Einstein referem-se a 1905 como sendo "The Miracle Year". Einstein recebeu o grau de Doutor pela Universidade de Zurique com uma dissertação sobre movimento browniano e publicou 3 trabalhos teóricos de grande importância para o desenvolvimento da Física do século XX, num dos jornais científicos mais relevantes da época, o “Annalen der Physik“.

Março de 1905: Explicação do efeito fotoeléctrico:

Einstein apresentou uma nova maneira de se entender e interpretar a luz. Até então a ideia universalmente aceite era a de que a luz, como todo o espectro electromagnético, era constituída por oscilações do campo electromagnético. Einstein baseou-se nos estudos de Max Plank (que havia sugerido que a energia era descontínua, formada por pequenos "pacotes", chamados quanta) e demonstrou que a luz pode ser interpretada como sendo formada de "partículas de energia", independentes, discretas, oscilantes, com energia proporcional à sua frequência de oscilação.

Maio de 1905: explicação do movimento Browniano:

No mesmo jornal, Einstein publicou um artigo explicando o movimento aleatório observado nas partículas suspensas num líquido, utilizando a já conhecida teoria da energia cinética. O modelo matemático apresentado por Einstein explicava em detalhe as observações experimentais dos movimentos de tais partículas.

Junho de 1905: publicação do seu mais famoso artigo, o da “Teoria da Relatividade Restrita”:

Desde a época de Galileu e Newton que os físicos conheciam o Princípio da Relatividade: a medida de qualquer processo mecânico seria a mesma se o corpo estivesse em movimento com velocidade constante ou em completo repouso. Einstein estava convencido de que o Princípio da Relatividade deveria aplicar-se também à luz. Para que isto fosse possível, uma nova e mais cuidadosa consideração sobre o conceito de tempo teve que ser feita. O tempo, que, para Newton, era algo absoluto e universal, seria, segundo a Teoria da Relatividade de Einstein, relativo.

O Nobel:

Baseado na sua Teoria da Relatividade, Einstein explicou as variações no movimento orbital dos planetas e previu a inclinação da luz das estrelas na vizinhança de um corpo massivo, como o Sol. A confirmação deste último fenómeno durante um eclipse em 1919 tornou Einstein mundialmente conhecido.

Comprovadas as suas teorias, Albert Einstein recebeu o Prémio Nobel da Física em 1921, não pela teoria da relatividade restrita, mas sim pelos seus trabalhos de 1905 sobre o efeito fotoeléctrico.

Em busca da Teoria Unificada:

Na teoria da relatividade de Einstein, a força da gravidade tornou-se uma expressão da geometria do espaço e do tempo. As outras forças da natureza, como o electromagnetismo, não foram descritas nestes termos. Einstein dedicou um tempo considerável da sua vida à generalização desta Teoria.

Para Einstein, o electromagnetismo e a gravidade poderiam ser explicados numa estrutura matemática mais profunda e complexa, e por isso dedicou a maior parte da sua vida à procura de uma "teoria unificada" que uniria o electromagnetismo e gravidade, espaço e tempo.

Paralelamente às suas investigações científicas, Albert Einstein lutou por diversas causas sociais. Tornou-se membro do Comité de Cooperação Intelectual da Liga das Nações em 1922. Em 1925, juntamente com o líder dos direitos civis indianos, Mahatma Gandhi, trabalhou numa campanha pela abolição do serviço militar obrigatório. Participou ainda num importante manifesto internacional, organizado pela Liga Internacional da Mulher pela Paz e Liberdade e que lutava pelo desarmamento internacional como sendo a melhor maneira de assegurar uma paz contínua.

Quando Hitler se tornou chanceler, Einstein abandonou Berlim, onde era professor no Kaiser Wilhelm Gesellshaft e estabeleceu-se nos Estados Unidos, no Instituto de Estudos Avançados, em Princeton, e, em 1939, data em que os alemães se baseavam nas suas teorias para construir a bomba atómica, Einstein escreveu ao presidente dos E.U.A., Franklin Roosevelt, alertando-o das potencialidades do elemento urânio, o que viria a contribuir para o desenvolvimento do programa nuclear dos E.U.A.

Adquiriu em 1940 a cidadania americana e, horrorizado com as consequências das explosões em Hiroshima e Nagasaqui, iniciou em 1946 uma campanha contra a bomba nuclear. Pronunciou-se a favor da existência do estado de Israel, contra o nazismo, envolveu-se em diversas causas sociais e lutou até ao final dos seus dias contra a utilização das armas nucleares.

Judeu e pacifista, Einstein chegou a recusar a oferta da presidência do Estado de Israel, em 1952.

Aos 66 anos, Einstein fez uma breve pausa recapitulando o trajecto da sua vida: "Havia este mundo enorme, que existe independentemente de nós, seres humanos, que permanece diante de nós um enigma gigantesco e eterno, acessível, pelo menos em parte, à nossa inspecção e ao nosso pensamento. A contemplação deste mundo acenava como uma libertação. O caminho para este paraíso não era tão confortável nem tão atraente como o caminho para o Paraíso religioso; mas mostrou-se digno de confiança e nunca me arrependi de o ter escolhido."

Em comemoração do "Ano Milagroso" de 1905, o ano de 2005 foi declarado pelas Nações Unidas como o Ano Internacional da Física.

Autor: e-escola

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