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Augustin Louis Cauchy (1789 - 1857)

Publicado em 25/02/2002 (revisto em 03/07/2008)

Cauchy
Augustin Louis Cauchy
Fonte da imagem: MactutorLink externo.

“Os homens morrem, mas as suas obras ficam”. (Cauchy)

Augustin Louis Cauchy nasceu em 21 de Agosto de 1789 em Paris, França. Era o mais velho entre dois irmãos e quatro irmãs, filho de Louis-François Cauchy e Marie-Madeleine Desestre. O pai era um homem gentil e de grande cultura, advogado de profissão. A mãe era uma pessoa afável, contudo eram ambos católicos intolerantes.

Após a Revolução Francesa, a família Cauchy passou por dificuldades e, enquanto criança, Cauchy foi mal alimentado. LaplaceLink externo e Lagrange, amigos do pai, repararam no talento matemático do pequeno Cauchy e a ajudaram a estimulá-lo. Recomendaram também à família que, inicialmente, lhe dessem uma boa preparação em línguas. Até completar 13 anos, Cauchy recebeu do pai uma extensa educação, adquirindo também os seus preconceitos religiosos.

Entre 1802 e 1804, Cauchy estudou línguas clássicas na École Centrale du Panthéon e, de seguida, teve aulas de matemática para se preparar para o exame de admissão da École Polytechnique. Entrou na École em 1805, após ser o segundo classificado no exame, e graduou-se em 1807. Seguiu-se uma licenciatura em Engenharia Civil na École des Ponts et Chaussées, até 1810.

Enquanto estudante, Cauchy teve aulas com reconhecidos professores da altura, entre os quais Ampère e foi sempre um aluno extraordinário.

Ainda em 1810, foi para Cherbourg e colaborou em trabalhos de apoio à frota de Napoleão e, simultaneamente, levou a cabo várias investigações matemáticas.

Em 1811 demonstrou que os ângulos de um poliedro convexo são determinados pelas suas faces. Encorajado por LegendreLink externo e MalusLink externo , publicou em 1812 um artigo sobre polígonos e poliedros, onde demonstrou, para um caso particular de poliedros, a fórmula de Euler.

Regressou a Paris por motivos de saúde, e desenvolveu investigação em funções simétricas, escrevendo um artigo em Novembro de 1812, que só viria a ser publicado em 1815.

Tendo como objectivo uma carreira académica, Cauchy não regressou para Cherbourg, e continuou a desenvolver trabalho científico, enquanto procurava um lugar como professor. Depois de lhe recusarem várias posições, foi finalmente nomeado professor assistente de Análise na École Polytechnique em 1815.

Um ano depois foi-lhe atribuído o Grande Prémio da Academia das CiênciasLink externo pelos seus trabalhos sobre ondas, e tornou-se célebre por resolver um problema, colocado por FermatLink externo , sobre números poligonais. Em 1817 tornou- se professor no Collège de France e, a partir dessa data publicou muitos trabalhos importantes.

Em 1818 Cauchy casou com Aloise de Bure, amiga próxima do seu principal publicador, e do casamento resultaram duas filhas.

As relações de Cauchy com os colegas foram muito criticadas. Abel, Galois e PonceletLink externo são alguns dos matemáticos com razão de queixa da sua conduta. Nas palavras de Abel: “Cauchy é maluco e não há nada a fazer sobre isso, mas é o único matemático que sabe como a matemática deve ser produzida”.

Católico devoto e reaccionário convicto, defendia vigorosamente a Ordem dos Jesuítas e, quando o rei Carlos X foi exilado em 1833, Cauchy acompanhou-o, como tutor do seu neto.

A sua conduta causou-lhe a perda das suas posições como professor e membro da Academia, que recuperou apenas alguns anos mais tarde.

A obra completa de Cauchy é constituída por 789 artigos matemáticos que abordam várias áreas da matemática.

Entre outras coisas, salientam-se as definições rigorosas de convergência de sucessões e séries, desenvolvimentos na teoria da integração, no cálculo de resíduos, e em equações diferenciais.

Cauchy foi um dos mais extraordinários matemáticos do mundo, e o seu nome estará para sempre associado à Análise Real e Complexa. Faleceu em 23 de Maio de 1857, em Sceaux, França.

Autor: Nuno Freitas

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