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A Triboluminescência do Açúcar

Publicado em 15/02/2006 | Física

Existe um fenómeno físico bastante curioso e intrigante, desconhecido por muitos, mas descoberto há já bastante tempo, que acontece quando se quebra, raspa ou esmaga determinados materiais como fluorite ou o tão comum açúcar. A triboluminescência, como se chama esta propriedade, – também conhecida por fracto ou mecanoluminescência – é a emissão de luz por parte destes materiais nestas situações.

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Figs. 1 e 2 - Fotografias de rebuçados WintOGreen Lifesavers a serem esmagados entre duas placas de plástico transparente

Nos Estados Unidos da América, as crianças costumavam divertir-se esmagando um tipo de rebuçados entre os dentes, às escuras, para observarem pequenos clarões de uma luz azulada nas bocas uns dos outros. Qualquer pessoa pode experimentar em casa: colocando-se num local completamente escuro, esmague-se forte e rapidamente um pouco de açúcar com um alicate. Nesta situação, a luz gerada é muito menos intensa do que com aqueles rebuçados – mais tarde explicar-se-á o porquê – e portanto deve-se habituar os olhos à escuridão antes de se esmagar o açúcar e também não se pode estar à espera de um flash à maneira das máquinas fotográficas!

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Fig. 3 - Rebuçados WintOGreen a ser esmagado por um martelo, visto de lado

A princípio pensava-se que só com cristais de estrutura assimétrica se pudesse observar este fenómeno, mas descobriu-se que também acontece com certos cristais de estrutura simétrica; sabe-se ainda que as impurezas têm um papel fundamental neste mecanismo, porque quando se purificam os materiais estes perdem a capacidade de emitir luz desta maneira, sobretudo os cristais simétricos, verificando-se também este facto com alguns cristais de estrutura assimétrica. Pensa-se ainda que a triboluminescência possa estar de certo modo relacionada com o fenómeno piezoeléctrico – a capacidade que alguns materiais têm para gerar electricidade ao serem pressionados – em que a assimetria da estrutura é essencial para poder haver acumulação de cargas. Porém num estudo científico, um terço dos materiais triboluminescentes não eram piezoleléctricos e certos materiais piezoeléctricos não são triboluminescentes. Quanto aos rebuçados que as crianças esmagavam na boca para verem a luz, descobriu-se que, quando se quebra a estrutura do açúcar, é emitida também radiação ultravioleta. Por acaso, alguns dos compostos dos rebuçados são fluorescentes, e quando expostos a esta radiação tornam-se luminosos, o que amplia significativamente a ordem de luminosidade do fenómeno. A triboluminescência ainda é um fenómeno em estudo, para se poder entender melhor o que verdadeiramente ocorre e porquê. Hoje em dia não tem aplicações práticas.

Autor: Francisco Feijó Delgado

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