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Muito Poucos Meteoritos Lunares

Publicado em 04/06/2003 | Física

adaptado de J. Kelly Beatty

20 de Março de 2003 – Já passaram 20 anos desde que os cientistas planetários perceberam, pela primeira vez, que pedaços da Lua e de Marte estavam a cair aos seus pés sob a forma de meteoritos. E, enquanto agradeciam as amostras grátis, sempre se intrigaram sobre o porquê destes dois mundos estarem grosseiramente representados na Terra. Até agora, foram apanhados 24 meteoritos distintos vindos da Lua (alguns dos quais foram encontrados em vários pedaços), e 28 vindos de Marte.

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Um meteorito vindo da Lua, apanhado nas Allan Hills, nos gelos da antártida. O cubo tem 1 cm de lado.

Cortesia NASA / LSC.

O mistério surge porque os da Lua deveriam ser em muito maior número que os de Marte, por um facto de 100. Como a gravidade na Lua é mais fraca, significa que um impacto mais pequeno irá fazer com que os destroços consigam atingir velocidades superiores à velocidade de escape, em comparação com os impactos mais energéticos (e portanto mais raros), que têm de ocorrer para que algo consiga escapar da atracção gravítica de Marte. Cálculos realizados há alguns anos por Brett Gladman (da University of British Columbia), mostram que, uma vez lançado no espaço, um calhau de rocha lunar tem cerca de 50% de hipóteses de vir ter à Terra – 10 vezes mais hipóteses que um vindo de Marte.

Então, porque não há mais registos de meteoritos na Antártica ou no deserto do Sara, com pedaços do Tycho e Mare Imbrium? A resposta, de acordo com James N. Head (Raytheon Missile System), pode dever-se ao facto de que a maioria desses pedaços simplesmente desapareceram durante os últimos 100 000 anos, ou coisa parecida, tendo sido gradualmente destruídos devido à erosão causada pelo vento e pela água. Head diz que a maioria dos meteoritos vindos da Lua devem atingir a Terra em cerca de 10 000 anos, ora, como por hipótese não têm havido impactos lunares recentemente, a taxa de chegada dos meteoritos à Terra hoje em dia será quase nula, e os mais antigos já deverão ter passado.

Os meteoritos marcianos, pelo contrário, demoram cerca de 10 milhões de anos na sua viagem até à Terra, o que leva a uma taxa de chegada mais regular. Muito tempo depois da última ‘onda’ de meteoritos ter sido eliminada, novos ‘mensageiros’ de Marte continuarão a viajar – cerca de um por mês. Notavelmente, foram observados em primeira mão, quatro quedas de meteoritos de Marte, ao contrário dos lunares, que ninguém viu até agora em queda para a Terra.

Um calhau de Marte: o meteorito Los Angeles, encontrado no deserto Mojave na Califórnia.

Copyright 2000 Ron Baalke.

Mas há um problema com este cenário. A ideia de Head, que ele apresentou ontem na conferência anual Lunar and Planetary Science, implica que todos os meteoritos lunares devem ter chegado recentemente, não sendo esse o caso que se verifica. Dos 13 meteoritos com um tempo de vôo bem determinado (através de medições da exposição aos raios cósmicos durante a viagem), 6 partiram da Lua entre 500 000 a 9 milhões de anos atrás. De facto, nota Kunihiko Nishiizumi (da University of California, Berkley), os meteoritos lunares e marcianos partilham a mesma distribuição de idades.

Apesar disso, diz Head, datar os dois grupos de meteoritos é ainda um desafio, pois 99% dos meteoritos lunares e marcianos esperados, não foram apanhados. Gladman concorda, que o número quase igual de meteoritos lunares e marcianos “é uma consequência da idade finita da camada de gelo antárctica, combinada com transferências dinâmicas que actualmente fazem chegar à Terra alguns meteoritos de impactos lunares ocorridos no passado, mas também devido a um fluxo razoável resultante de impactos marcianos muito antigos”.

Autor: e-escola

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