e-escola

Bórax Intermédio

Publicado em 21/05/2009 

Aplicações

Fonte de boro: o boro elementar é difícil de obter. É utilizado sobretudo como elemento dopante na indústria dos semicondutores e em ligas com resistência a elevadas temperaturas. O isótopo 10B é utilizado em ressonância magnética nuclear (tratamento do cancro) e o isótopo 11B é um dos melhores candidatos à fusão aneutrónica (reacção: p + 11B → 3 4He + 8.7MeV).

Compostos de B: Ácido bórico; borato de chumbo; borato de zinco; bórax anidro; carboneto de boro; colemanite sintética; fibra de boro; metaborato cúprico; nitreto de boro; borazole; octaborato dissódico; pentaborato e tetraborato de amónio; perborato de sódio; tetraborato de lítio; trifluoreto de boro.

Concentrados minerais e salmouras

O mineral é extraído no estado sólido ou líquido e pode ser utilizado tal-qual ou na forma desidratada. Constitui a matéria-prima para a maioria dos compostos de boro citados anteriormente.

Deficiência de boro na couve-flor

Fig. 7 – Deficiência de boro na couve-flor.

pintura de protecção automóvel

Fig. 8 – Os compostos de boro são utilizados no esmaltado da chaparia automóvel e nos vidros do sistema de iluminação.

vidros de laboratório

Fig. 9 – Muitos vidros especiais contêm boratos na sua composição, como os que são utilizados em laboratório.

Cerca de 50% do consumo de boro é efectuado pela indústria vidreira, uma vez que a sua aplicação nos vidros baixa a temperatura de fusão e produz um vidro menos viscoso a menor temperatura. Modifica as propriedades ópticas do vidro (uma vez que é responsável pela dispersão na gama de baixos comprimentos de onda do espectro da luz visível), sendo possível obter lentes de elevada qualidade, filtros de luz com valores específicos de espectros de transmissão. É utilizado também na produção da fibra de vidro e vidro resistente ao calor (pyrex) – diminui o coeficiente de expansão térmica. A grande maioria dos vidros de laboratório é borossilicatada. Os compostos mais utilizados nestas aplicações são o tetraborato de sódio, o ácido bórico e o bórax.

Outras aplicações
  • Limpeza (o bórax ao reagir com uma base ou um ácido forte tem a capacidade de formar uma solução tampão; é considerado ecologicamente saudável) – detergentes, sabões, desinfectantes, elixir para a boca, etc.
  • Amaciamento da água (conversão de metais pesados existentes nos efluentes industriais e limpeza de piscinas).
  • Adubos (o boro é um nutriente essencial para as plantas (ver figura 7)
  • Pesticidas e insecticidas.
  • Fabrico de esmaltes e coberturas de protecção (dos frigoríficos às naves espaciais!).
  • Cerâmica e olaria (confere resistência mecânica).
  • Fluxo em soldadura de metais e joalharia.
  • Solvente de escórias metalúrgicas (remoção dos óxidos metálicos).
  • Conversão em borato ou ácido bórico.
  • Aditivos de gasolina (compostos orgânicos - pouco usados devidos aos seus efeitos poluentes).
  • Produtos farmacêuticos (ex. candidatos ao tratamento da artrite).
  • Pirotecnia (chama verde).
  • Fabrico de materiais compósitos de elevada resistência e leves (domínio aeroespacial e desportivo).
Curiosidades
  • A fulerite (C60) ultradura, os agregados de nanodiamantes e o diamante sintético continuam a ser os materiais conhecidos com maior dureza, mas os compostos de boro, diboreto de Rénio, ReB2, e nitreto de boro cúbico, CBN ou Borazon, estão muito perto desse limiar. Este aspecto revela mais uma das grandes qualidades deste elemento.
    Estrutura do tipo esfalerite (CBN)

    Fig. 10 - Estrutura do tipo esfalerite - Nitreto de boro cúbico (CBN). Atómos de B e N em igual proporção. Fonte: Benjah-bmm27 Link externo.

  • A pasta de bórax combinada com sumo de limão é um óptimo agente de limpeza e desinfectante para uso nas casas de banho, assim como o vinagre, com a vantagem de ser um produto ecologicamente saudável.

Autor e Créditos

Autor:

  • Manuel Francisco Pereira
  • Elsa Vicente
  • Ágata Sousa
  • Júlio Caineta
 

Tópicos Relacionados

  • Boro

    Grupo de Produção de Conteúdos de Química | 28/10/2008 | Tabela Periódica | Básico

  • Ferro

    Grupo de Produção de Conteúdos de Química | 10/04/2008 | Tabela Periódica | Básico

  • Níquel

    Grupo de Produção de Conteúdos de Química | 28/10/2008 | Tabela Periódica | Básico

 

Referências Bibliográficas

  • [1] Almeida, C.M.P., Estudo do filão aplitopegmatítico da mina da Bajoca, Almendra. Contribuição Científico-tecnológica, Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, Porto, 2003.
  • [2] Blackburn, W.H. & Dennen W.A., Principles of Mineralogy, Second Edition, Wm. C. Brown Publishers, 1994.
  • [3] Carneiro F.S., Potencialidades Minerais da metrópole, base firme de desenvolvimentos industrial do país, Arquivos da Direcção Geral de Minas e Serviços Geológicos, 1971.
  • [4] Celso S. & Gomes F., Minerais Industriais: Matérias Primas Cerâmicas, Instituto Nacional de Investigação Científica, Aveiro, 1990.
  • [5] Cerný, P., Short Course in Granitic Pegmatites in Science and Industry, Ed. P. Cerný. Mineralogical Association of Canada Short Handbook, 1982.
  • [6] Constantopoulos, J.T., Earth Resources Laboratory Investigations, Prentiss-Hall, 1997.
  • [7] Dud’a, R. & Reij.L, A Grande Enciclopédia dos Minerais, Editorial Inquérito, 1994.
  • [8] Edwards, D. & King, C., Geocience: Understanding Geological Processes, Hodder & Stoughton, 1999.
  • [9] Enciclopédia Minerais e Pedras Preciosas, RBA Editores, 1993.
  • [10] Gaines R., Skinner H., Foord E., Mason B., Rosenzweig A., Danas’s New Minerology, 8ª. Ed., John Wiley & Sons, Inc., 1997.
  • [11] Galopim de Carvalho, A.M., Sopas de Pedra: De Mineralibus, I, Gradiva Publicações Lda., 2000.
  • [12] Gomes, C.L. & Nunes, J.E.L., Análise paragenética e classificação dos pegmatitos graníticos da cintura hercínica centro-ibérica, M. Portugal V. Ferreira (Coord.), A Geologia de Engenharia e os Recursos Geológicos, Imprensa da Universidade Ed., Coimbra, 2003, pp. 85-109.
  • [13] Harben, P.W. & Bates, R.L., Industrial Minerals, Geology and World Deposits. Industrial Minerals Division, Metal Bulletin PLC, London, 1990.
  • [14] Harben, P.W. & Kuzvart, M., Industrial Minerals, A Global Geology. Industrial Minerals Information Ltd, Metal Bulletin PLC, London, 1996.
  • [15] Hurlbut, C.S. Jr., Les Minéraux et L’ Homme, Éditions Stock, Paris, 1969.
  • [16] Hurlbut, C.S. Jr. & Switzer G.S., Gemology, Johnn Wiley & Sons, Inc., 1979.
  • [17] Jesus, A.M., Pegmatites Mangano-litiníferas da Região de Mangualde, Com. Serv. Geol. Portugal, 1993, 65-210.
  • [18] Klein, C. & Hurlbut C.S., Manual of Mineralogy (after James D. Dana), Revised 21ª. Ed., John Wiley & Sons, Inc., 1999.
  • [19] Lima, A.M.C., Estrutura, mineralogia e génese dos filões aplitopegmatíticos com espodumena da região Barroso-Alvão, Tese de doutoramento em Ciências, Departamento de Geologia, Centro de Geologia, FCUP, Porto, 2000.
  • [20] Manutcherhr-Danai M., Dictionary of gems and geomology, Springer-Verlag, 2000.
  • [21] Mendes, H. S. & Silva, M. I., Mineralogia e Petrologia – Segundo as lições do Prof. Eng. Luís Aires de Barros, Edição da Secção de Folhas da A.E.I.S.T., 1965.
  • [22] Neves, M.O., Caracterização químico-estrutural e petrográfica das micas litiníferas da mina do Castanho Nº1 (Gonçalo-Guarda), Tese de mestrado em Geoquímica, Departamento de Geociências da Universidade de Aveiro, Aveiro, 1993.
  • [23] Pereira, M.F.C, Estudo mineroquímico interpretativo da evolução da alteração de fosfatos de manganês – triplites de Mesquitela (Mangualde), Departamento de Geociências da Universidade de Aveiro, 1994.
  • [24] Pereira, M.F.C, Análise estrutural e mineralógica do aparelho pegmatítico de Pereira de Selão (Seixigal) - Vidago (N de Portugal), Tese de doutoramento em Engenharia de Minas, Departamento de Minas, IST-UTL, Lisboa, 2005.
  • [25] Putnis, A., Introduction to mineral sciences, Press Syndicate of the University of Cambridge, 1992.
  • [26] Ramos, J.M.F., Mineralizações de metais raros de Seixo Amarelo– Gonçalo (Guarda). Contribuição para o seu conhecimento, Tese de doutoramento, Fac. Cienc. Univ. Lisboa, Lisboa, 1998.
  • [27] Schnorrer-Kohler, G. Bendada, 1991, ein Phosphatpegmatit im Mittelteil Portugals, Lapis Mineralien Magazin, 5, pp. 21-33, Schnorrer-Kohler, G. Bendada, 1991, ein Phosphatpegmatit im Mittelteil Portugals, Lapis Mineralien Magazin, 5, pp. 21-33.
  • [28] Staff of U.S. Bureau of Mines, Mineral Facts and Problems, 1985 Edition, Bulletin 675, United States Department of the Interior, 1956.
  • [29] Velho J., Gomes C. & Romariz, Minerais Industriais, Geologia, Propriedades, Tratamentos, Aplicações, Especificações, Produções e Mercados, Gráfica de Coimbra, Coimbra, 1998.
 

Para comentar tem de estar registado no portal.

Esqueceu-se da password?

© 2008-2009, Instituto Superior Técnico. Todos os direitos reservados.
  • Feder
  • POS_conhecimento